AMERICANAH

Esta, provavelmente, foi a resenha mais difícil de fazer até hoje. Talvez seja pelo fato de que para mim, Americanah tenha sido muito mais que um livro, e sim uma carta verídica de mulheres Africanas que passam por coisas que Ifemelu passou, não tão distante de nós: preconceito, machismo, abuso.. E ela, uma amiga foda, de personalidade forte, marcante, feminista e humana. Gente como a gente! Que erra, que xinga, que faz cagadas e a gente sente vontade de dar uns tapas, de acolher, de comer brigadeiro, sair pra tomar uma cerveja. Uma pessoa singular.

Americanah conta a história de Ifemelu, uma garota nascida na Nigéria que se muda para os Estados Unidos quando está na faculdade e se vê rodeada de novas pessoas, novos amores, dificuldade de encontrar emprego, estudar, e acima de tudo, se encontrar.
Na maior parte do tempo ela se sente solitária – com um turbilhão de pensamentos, o que ajuda fortemente para que ela crie um blog onde fala sobre questões raciais e suas próprias observações de ‘’um negro não Americano’’ que acaba ganhando milhares de seguidores. Alguns posts de seu blog surgem na narrativa do livro e nos faz refletir aspectos como preconceito inverso (que sempre achei RIDÍCULO dizerem que isso existe), sobre a diferença entre um negro-americano e um nego-não-americano, sobre o racismo que não destoa enquanto ela mora na Nigéria e quando se muda para os EUA, torna-se constante na sua vida, tornando a principal característica “mulher negra’’, e muitos outros assuntos que deixa a história rica de conhecimento.
Falando em enredo, ele é feito de momentos não lineares, que por ora fala de Ifemelu hoje, ora, antigamente, quinze anos atrás. Além de Ifemelu, há Obinze, seu primeiro amor e que por conta dessas coisas da vida, se separaram. Os dois (assim como os outros) são personagens muito, mas muito bem construídos, cheios de detalhes que nos faz imaginá-los perfeitamente – e que nos faz pensar que a autora já conheceu muito deles e se inspirou ao escrever Americanah.
A leitura é marcante, é envolvente, me fez chorar, me fez rir e me fez mergulhar na história tão diferente de cultura que a nossa. A África é muito mais do que a gente imagina daqui, o preconceito é muito mais forte e doloroso do que nós brancos imaginamos. Ifemelu é muito mais real do que eu imaginava.
Eu queria mais. Mais de Americanah, mais de Ifemelu.


Livro: Americanah
Autor: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 520



Vencedor do National Book Critics Circle Award.
Eleito um dos 10 melhores livros do ano pela NYT Book Review.
Há mais de 6 meses nas listas de best-sellers. 
Direitos para cinema comprados por Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por Doze anos de escravidão.

Alguém já leu? Se não, coloca na lista de livros pra ler que vale muito a pena. Sério mesmo!
snapchat – meurrelicario | Instagram | twitter | facebook & facebookpinterest


Bons ventos! 

10 comentários

  1. Stéf, senti o mesmo que você sobre a Ifemelu! A escrita da Chimamanda nos aproxima demais das personagens, às vezes esquecia ser uma personagem ficcional. :) Estou morrendo de vontade de ler Half of a yellow sun. <3 Viu, você conhece a trilogia do Chinua Achebe (O mundo se despedaça, A paz dura pouco e A flecha de deus)? A linha narrativa da Adichie e do Achebe são bem diferentes, mas ele é um mito da literatura nigeriana e essa trilogia é bem legal para conhecer mais sobre a história do continente africano pós-independências e da Nigéria em particular. :D
    Faça mais resenhas! :D :D To sempre por aqui no blog (só não costumo comentar hahaha). Beijo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ana, que bom te-la por aqui! Mais ainda saber que voce acompanha rs. Também me esqueci diversas vezes que era uma ficção, tanto que até procurei o blog pela internet - Vai que Ifemelu seja real, né? hahaaha
      Quero muito ler Half of a yellow sun, já é minha próxima leitura. Agora a trilogia de Chinua Achebe eu não conhecia, mas parece ser tão interessante quanto. Essas Nigerianas são mesmo umas lindas. <3

      Prometo que farei mais resenhas!

      Beijinho

      Excluir
  2. Uma mulher livre resenhando sobre o livro de outra mulher livre

    ResponderExcluir
  3. Oi Steph! Parabens pela resenha, eu dificilmente tenho vontade de ler temas mais pesados.. mas tenho que confessar que chamou muito minha atencao. Pesquisei um pouco mais na internet e rolou / ta rolando borburinho. Curto temas que trazem a tona o que incomoda (tipo a nova musica da Beyonce).. pelo que vi o livro vai no mesmo tema. Pra mim eh OBVIO que existe diferenca no tratamento. O preconceito, pra mim, eh a atitude mais triste de um ser humano. Ja adicionei o livro na minha lista do skoob! HAHAHAHA bEEEEIJOS.

    http://www.verdadeescrita.com/quando-dei-tchau-para-o-que-os-outros-pensam/

    ResponderExcluir
  4. eu não conhecia esse livro. mas já me interessei muito. tenho refletido demais sobre essas questões raciais desde o fim do ano passado. A indicação veio em hora certa.

    ResponderExcluir
  5. que delícia sua resenha! de verdade mesmo! passou emoção sabe? que não foi apenas mais uma história de mais um livro lido. e quanto ao preconceito inverso, não sei nem o que dizer quando leio alguém escrevendo isso, não é possível que alguém realmente acredite nisso né? assim quero acreditar...
    beeeijos, Ja fomos legais

    ResponderExcluir
  6. Gostei muito,não conhecia,mas pretendo ler em breve :)


    http://fotografeumlivro.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  7. Que indicação incrível, parece ser um livro muito forte. Adorei sua resenha e fiquei interessada em ler!

    ResponderExcluir
  8. Não acredito que eu não conhecia esse livro! Deve ser maravilhoso <3

    ResponderExcluir

Obrigada pela visita e pelo comentário.
Deixe sua URL junto ao comentário para que eu possa retribuir o carinho em seu blog! ♥