OLHOS DE RESSACA

Um dia em 2007, quando estava no último ano do ensino médio, tinha uma pergunta pra gente descrever o termo “olhos de ressaca” que o Bentinho usava para descrever a Capitu no livro Dom Casmurro. Lembro que eu não fazia a mínima ideia (muito porque só tinha lido metade do livro) mas li mais uma vez depois e mesmo assim continuei sem entender. O Professor até tentou explicar na sala, mas acho que naquela hora, nem o próprio Machado de Assis me faria entender.
Passaram-se três anos, e um dia te chamei pra almoçar no serviço. Lembro que quando sentamos pra comer, naquele lugar meio apertado, cheio de gente em volta, mas um de frente pro outro, eu te encarei e ao te encarar eu senti algo nos seus olhos (olhos bem grandes por sinal), algo que eu não sei até hoje explicar o que foi, algo que me levou pra bem longe, que me fisgou por completo e que eu já nem sabia onde estava direito e se tinham pessoas em minha ao redor. Eu só conseguia pensar em uma frase que nunca saiu da minha cabeça: “Olhos de ressaca? Vá, de ressaca”. Neste momento eu consegui entender, mesmo não sabendo se era isso que ele quis dizer, mas eu senti como ninguém e naquela hora o que seriam olhos de ressaca.  Se eu fizesse aquela prova de novo, poderia mandar até o Machado corrigir, que eu sei que acertaria.
Depois fui ler o trecho do livro de novo, onde ele falava sobre os “olhos de ressaca”, e realmente, eu pude entender o Bentinho:
“Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios.”
Poderia falar mil coisas mais sobre você e sobre o que você significa pra mim, mas essas são outras histórias das infinitas que tenho com você e que terei ainda.
PS.: Essa é uma história real. Daquelas que só Allan sabe contar para Stéfhanie (e que a faz chorar ás 13:49 da tarde).

5 comentários

  1. <333333333 contos curtos são assim: puro amor. Adorei

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  2. Olhos de ressaca! Eu não li esse livro (acho) e também não sabia o que queria dizer, apenas conhecia a frase. Agora entendi finalmente rs
    http://aleatoriamente.tk

    te seguindo lá no instagram <3

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  3. Que lindo! Imagino sua emoção. :)

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  4. Oieee!! CARAAAACA adorei teu conto. Acredita que eu sempre brinco com os "olhos de ressaca". Pra mim, muitas vezes tenho como elogio sabe?! E eu acho que voce aplicou muito bem no teu conto essa expressao. Nem machado de assis faria melhor. Adorei um conto contemporaneo utilizando machado! Amei muito. Super parabens. Beeeijos

    http://www.verdadeescrita.com/google-cade-o-amor/

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  5. Que texto mais fofo! <3

    Abraço,
    literarizei.blogspot.com

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